Fórum das entidades de Curaçá (BA) retoma atividades

Fórum das entidades de Curaçá (BA) retoma atividades

 Com origem em dezembro de 2015, o Fórum das entidades populares de Curaçá (BA) retomou suas atividades nesta segunda-feira (16) na casa paroquial. Realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar de Curaçá (Sintrafer), a reunião contou com a presença de presidente e secretários de várias comunidades tradicionais de Fundo de Pasto, organizações populares e militantes do município.
O encontro se propôs a contribuir na compreensão acerca da questão dos danos e impactos ambientais a partir das empresas mineradoras no município de Curaçá, assim como a chegada dos Parques Eólicos, que já instalaram a primeira torre experimental na Serra da borracha, região de Patamuté e também na Serra da Canabrava, região de São Bento.
Além de estudos e debates internos, a idéia é fortalecer o Fórum e ampliar a participação das entidades locais, construindo estratégias de ação em defesa dos povos e comunidades, da terra e territórios e aderir à campanha em defesa da soberania mineral no município e na região. De acordo com dados da CNPM – Companhia Nacional de Pesquisa Mineral, 87% do município está mapeado e requerido pelas mineradoras. Diante disso, o objetivo do Fórum é fortalecer e unir as comunidades contra as ameaças desses empreendimentos.
Conforme relato de participantes da reunião, à medida que as mineradoras chegam se mostram preocupadas com o meio ambiente, propõe empregos e desenvolvimento para a comunidade. Porém essa é uma situação que, segundo as lideranças, não acontece, pois no momento em que se instalam, não cumprem a contento as promessas e se a comunidade quiser reincidir o contrato a multa chega a mais de R$35.000.000 (trinta e cinco milhões de reais).

Edilson Pereira de Souza, representante de comunidade quilombola, acredita que as comunidades devem participar de espaços como o Fórum, pois é onde se discute a situação do município de Curaçá e deve-se evitar a ocorrência de desastre ecológico. Já Claudemir Costa Pereira afirma que em sua comunidade, por conta da mineração, a criação de caprinos e ovinos não é mais viável, por conta das constantes explosões e buracos deixados na comunidade. Presente também na reunião, a cacique Djanira reforçou a necessidade de articulação entre as comunidades no sentido de defender o meio ambiente e com uma atenção maior para o Rio São Francisco.
O Fórum das entidades populares de Curaçá é um mecanismo de socialização, reflexão, estudo e construção de estratégias para enfrentamento das ameaças aos povos e comunidades tradicionais de Fundo de Pasto, terra e território do município de Curaçá. O fórum nasceu das discussões e preocupações das entidades como a Paróquia, Irpaa, Sintrafer, CPT, Mata Branca, Articulação de Fundo de Pasto e lideranças das comunidades.
Texto e fotos: Diego Fonseca – Colaborador do Eixo Terra
Edição: Comunicação Irpaa



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

“Nós vamos ficar com a morte e a doença”: Em Sento Sé (BA), comunidades ribeirinhas temem empreendimento de mineração

Centenas de famílias estão na rua após despejos violentos em acampamentos do MST

Mineração: uso de explosivos aterroriza comunidade de Angico dos Dias