CPT Bahia lança relatório de Conflitos no Campo Brasil 2016 em Salvador


Foto: Thomas Bauer/ CPT Bahia.
Foto: Thomas Bauer/ CPT Bahia.

Pesquisadores, professores, estudantes, representantes de entidades e movimentos sociais se reuniram nesta quinta-feira, 27, no Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, para o lançamento do Caderno de Conflitos no Campo Brasil 2016. O relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) reúne dados sobre os conflitos por terra, água e trabalhista, e violências sofridas pelos trabalhadores/as do campo brasileiro, incluindo indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais.
O evento contou com a participação de Joaci Cunha, assessor do Centro de Estudos e Ação Social (CEAS), que abriu o debate com a análise de conjuntura; Mirna Oliveira, advogada da Associação de Advogados/as de Trabalhadores/as Rurais (AATR), que lançou a Revista “No Rastro da Grilagem”; Edvagno Rios, integrante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA); e trabalhadores/as vítimas de conflitos na Bahia.
Ruben Siqueira, um dos coordenadores da CPT Nacional, apresentou os dados do relatório Conflitos no Campo Brasil 2016 e destacou o aumento da violência no campo em 2017, que já ultrapassa os números do ano passado no mesmo período (51 assassinatos registrados até julho). Para o coordenador, esse crescimento está relacionado com as ações do atual governo federal.
Os dados dos conflitos na Bahia em 2016, estado que se tornou o terceiro mais conflitivo do país, se igualando ao Pará, foram apresentados por Roseilda Conceição, do setor de documentação da CPT. Conceição destacou os quatro trabalhadores baianos assassinados e denunciou a morte recente do líder comunitário José Raimundo Mota Junior, da comunidade de Jiboia, em Antônio Gonçalves (BA).
Deraldino Conceição, líder comunitário da comunidade Porteira da Santa Cruz, Serra Dourada (BA).. Foto: Thomas Bauer/ CPT Bahia
Deraldino dos Santos, líder comunitário da comunidade Porteira da Santa Cruz, Serra Dourada (BA). Foto: Thomas Bauer/ CPT Bahia.
Durante o lançamento, Deraldino dos Santos, líder da comunidade de Porteira de Santa Cruz, em Serra Dourada (BA), relatou a violência que a comunidade de fecho de pasto vem sofrendo. Segundo o líder comunitário, eles estão perdendo territórios adquiridos por seus antepassados. Ainda de acordo com Santos, 11 trabalhadores foram presos, condenados e estão respondendo processo judicial.
“De 2015 pra cá, nós fomos surpreendidos com um juiz de Minas Gerais, desembargador, colocado por quatro fazendeiros, e eles vieram com violência. Na área de fecho de pasto, a gente cria gado, planta mandioca, feijão de corda, e eles passaram o trator de esteira por cima das nossas lavouras. Fomos muito prejudicados. Depois que perdemos mais da metade de nossa área, a comunidade ergueu a cabeça e foi à luta”, desabafou.
O lançamento da 32ª edição da publicação anual foi organizado pela CPT Bahia em parceria com o grupo de pesquisa Geografar, do curso de pós-graduação em Geografia e Economia da UFBA.
Dados gerais
Em 2016, a CPT registrou o maior número de conflitos por terra no Brasil nos últimos 32 anos (o número total de conflitos por terra é resultado da soma de três variáveis: Ocupações – Acampamentos -Ocorrências de Conflito). Foram 1.079 ocorrências de conflito - nas quais houve alguma forma de violência-, uma média de quase três conflitos de terra por dia.
Na Bahia, foram 102 conflitos, um aumento de 75% em relação a 2015. 61 pessoas foram assassinadas no país ano passado, 22% a mais do que em 2015 e o maior número desde 2003. Quatro delas em território baiano.

Assessoria de Comunicação da CPT Bahia

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