POLÍCIA MILITAR ATIRA CONTRA CAMPONESES EM OCUPAÇÃO DE FAZENDA EM RONDÔNIA



Na manhã desta quinta-feira (4), os camponeses do Acampamento Paulo Freire III, em Seringueiras (RO), foram atacados pela Polícia Militar de forma truculenta. Sem ordem judicial, os policiais dispararam, com armas de fogo, contra os acampados, entre eles crianças e mulheres. Os camponeses se defenderam como podiam e correram para a floresta, conforme informações do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (Cebraspo), que acompanha a situação.



A ação da PM foi uma tentativa de retirar as cerca de 100 famílias que, na quarta-feira (3), reocuparam a Fazenda Riacho Doce. A área, de 2.500 hectares, está em poder de Tião de Peder, conhecido como Tião Terboi. Os camponeses, que desde 2006 estão acampados na região, afirmam que a fazenda é comprovadamente terra da União. Segundo eles, o título da propriedade foi ilegalmente emitido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para o filho de Tião Terboi, na época com 12 anos. “Hoje, quem está à frente das ameaças e perseguições aos camponeses é Artemiro Craus, conhecido como Timiro. Sua participação ativa indica que ele não é um simples arrendatário de pasto, ele deve ter comprado as terras de Tião, mas não aparece nos processos. Esta situação nebulosa é muito comum em várias áreas de conflito agrário”, afirma nota do Cebraspo.
Os camponeses foram despejados da área pela PM por 8 vezes. Em todas as ocasiões, os policiais destruíram suas casas, roças e criações. “Chegaram a atirar bala de borracha em mulheres grávidas e crianças. Um senhor acabou falecendo, porque a polícia não permitiu que seu filho fosse à cidade buscar o remédio que ele tinha que tomar; quando ele foi socorrido, já era tarde. Camponeses foram assassinados na área e como sempre nada foi feito”, denuncia a Cebraspo.
Em uma das reocupações da fazenda, em dezembro de 2012, os camponeses capturaram um pistoleiro armado e filmaram um depoimento onde ele assume que trabalhava para Timiro com a ordem de matar qualquer camponês que tentasse retomar a fazenda. “O vídeo provou o que as famílias sempre denunciaram e mais uma nada foi feito por parte da Ouvidoria Agrária Nacional ou Incra. Registra-se que as famílias, quando chegaram à fazenda, tiveram a oportunidade de presenciar todas as suas produções destruídas, aproximadamente 200 alqueires dos mais diversos cultivos”, relata a nota.

Resistência
Após a retomada, os camponeses dividiram a área em 84 lotes, plantaram roças e hortas, além de manterem criações de animais. Construíram casas e abriram uma estrada com recursos próprios.
No entanto, no dia 13 de abril foram novamente despejados, sob ordem do juiz federal de Ji-Paraná, Flávio da Silva Andrade. “Mesmo sem resistir, as 84 famílias foram atacadas com spray de pimenta, bombas de efeito moral, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha disparados por 200 policiais civis, militares e federais, do GOE e do Exército”, conta o Cebraspo.
De acordo com a entidade, alguns camponeses foram presos e, mesmo estando deitados no chão, rendidos e algemados, “policiais ajoelharam no pescoço deles e jogaram spray de pimenta em seus rostos”. Cinco pessoas, entre elas três crianças, foram hospitalizadas.
As famílias foram levadas para a cidade de Seringueiras onde ficaram acampadas no Incra, passando todo tipo de necessidades embaixo de barracas de lona, até o último dia 01 de julho de 2013, quando retornaram à área. “O prazo de 60 dias que o Incra solicitou para realizar vistoria da área já se expirou. Além de não cumprir o prazo, o Incra, em reunião há quinze dias, informou que parte da área seria destinada à outras famílias. Por conta disso, as famílias se reorganizaram para defender o seu direito à terra”, afirma o Cebraspo.
Foto: Reprodução/Cebraspo

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