Quatro anos depois, assassinato de camponês em Casa Nova continua impune



Há exatos quatro anos o camponês José Campos Braga perdia sua vida por defender seu pedaço de chão onde morava em Casa Nova (BA) com sua esposa e nove filhos. O agricultor foi covardemente assassinado em Areia Grande, área de fundo de pasto que há 30 anos sofre com investidas de grileiros. Alguns meses antes do assassinato, uma milícia particular entrou na área destruindo casas, currais e intimidando as famílias com armas de fogo. Com tais atrocidades, queimaram crianças e  induziram ao aborto de uma das moradoras.

Sempre combativo e contrário as ameaças dos grileiros, no dia 31 de janeiro de 2009 Zé de Antero, como era chamado, voltava  para casa depois de ter ido à feira em Casa Nova. Cinco dias depois foi encontrado morto, perto da sua residência, com um tiro na nuca e outro perto da orelha, segundo dados da Polícia-Técnica. Até hoje o inquérito não foi concluído.

O conflito agrário em Areia Grande começou em 1980 com a grilagem de terras durante o "Escândalo da Mandioca". Como representante da região no esquema que chegou a desvirar do Proagro 1,5 bilhão de cruzeiros, entre 1979 e 1981, estava a Empresa Agro Industrial Caramagibe S.A. O golpe consistia na obtenção de documentos falsos para conseguir crédito agrícola no Banco do Brasil. 

No ano do assassinato de Zé de Antero, o ouvidor regional do INCRA, Franklin de Paula, afirmou ao jornal A TARDE que o crime poderia ter sido encomendado por grileiros. “Pela representação da AATR - BA e do andamento  do processo na Justiça, onde o INCRA já recebeu a área como fundo de pasto, é bem provável que o caso tenha a ver com os supostos donos”.

Com tamanha impunidade, novos atos de violência afligem as 366 famílias que vivem em Areia Grande. No último dia 17, homens armados entraram na área e deram 20 tiros numa cisterna de placa que pertence a vizinhos do agricultor assassinado.  

Visando criar estratégias para fortalecer a defesa de seus territórios, lideranças das áreas de fundo de pasto participam hoje  de uma reunião em Casa Nova. À noite, amigos, parentes e companheiros de luta preparam uma vigília para Zé de Antero. 

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