REGISTROS DE TRABALHO ESCRAVO QUASE TRIPLICAM NA REGIÃO DE CAMPINAS

Alojamento de operários da construção civil em Campinas (Foto: Marcello Carvalho/ G1 Campinas)
Alojamento de operários em Campinas. Foto: Marcello Carvalho

Os registros de trabalho análogo à escravidão quase triplicaram na Região Metropolitana de Campinas (RMC) de janeiro até o dia 20 de março, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT). Em 2012 foram três casos e, este ano, são oito.

A construção civil é o setor com o maior número de casos de trabalhadores em situação degradante este ano, com três ocorrências. Outros dois foram identificados em restaurantes, além registros em empresas de vigilância, tecnologia e indústria têxtil.

“Fico imaginando como as pessoas podem morar com porcos, que entram na sua casa e reviram o lixo. É muito absurdo”, diz o procurador do MPT Ronaldo Lira, ao resumir a situação dos que vivem em regime análogo ao trabalho escravo. O órgão também afirmou que dos oito casos em 2013, cinco são em Campinas e  os outros estão divididos entre Nova Odessa (SP), Americana (SP) e Valinhos (SP).


'Jogado junto com animais'

O pedreiro Valdeír Amorim Lopes vivia em um alojamento que foi interditado em Campinas (SP), mas voltou para seu estado natal, o Maranhão. "Colocaram a gente lá e esqueceram", disse ele. "Não tem assistência nenhuma. Você fica jogado junto com animais, se a gente não buscasse o que comer e produtos de higiene por nossa conta, não teríamos nada", relata.

Atualmente desempregado, ele recorda as promessas feitas pelas construtoras. "Eles vão até o Nordeste, falam de trabalho, condição boa, mas não cumprem. Eu cheguei a ver pessoas que moravam comigo, que trabalhavam em outras obras, que ao chegar aqui, foram dispensados. Como faz? Volta pra casa sem nada?", desabafou.

Segundo o procurador do MPT o aumento de casos está ligado ao crescimento de obras na região de Campinas. "Empresas e construtoras buscam trabalhadores nas regiões mais pobres do país”, disse Ronaldo Lira. "Eles só pensam em mão de obra barata, só pensam em trazer pessoas, não registram, não dão a menor condição, isso tem que ser combatido com fiscalização", completou.

O procurador afirma que uma das soluções para melhorar a fiscalização seria criar grupos estaduais especializados, que teriam apenas a função de frequentar as obras as moradias. "Os alojamentos realmente estão em situação muito degradante. Animais, fios desencapados, risco de incêndio são coisas recorrentes nesses locais", disse Lira.

Bolivianos

O levantamento do MPT também apontou que os bolivianos que trabalhavam em indústrias têxtil de São Paulo estão migrando cada vez mais para a região de Campinas, principalmente nas cidades de Americana e Indaiatuba (SP). A situação ocorre por conta do aumento da fiscalização na capital.

"Está cada vez mais comum ver bolivianos pelas ruas de Americana, eles estão migrando mesmo para o interior. Essas pessoas vem para trabalhar em empresas de marcas famosas, que a gente vê em shopping", disse.


Em relação aos oito casos de trabalho escravo registrados em 2013, o órgão informou que assinou Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) com as empresas para a situação ser regularizada. Segundo o MPT, os trabalhadores resgatados receberam o que tinham direito.

Fonte: globo.com

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